quinta-feira, 17 de junho de 2010

Entrevista com o Professor Antônio

1 - Quais são suas propostas que tendem a se diferenciar da Chapa concorrente?
As diferenças podem ser agrupadas em três níveis: Primeiro na atuação junto à categoria, nós valorizamos muito a organização de base, com representantes nas unidades escolares, fortalecimentos das instâncias municipais, enfim os dirigentes precisam fomentara mobilidade da categoria com informações precisas e sérias sobre a
atuação sindical, negociações e outras situações que envolvem o sindicato. O segundo é quanto a metodologia e estratégias, entendemos que a categoria não pode ser exposta a riscos ou situações que provoquem prejuízos ou embaraços, a responsabilidade de pensar as ações sindicais é dos dirigentes, não é possível transferir isso para a base da categoria, como vem sendo feito que em cada assembléia, que decisões estão sendo tomadas sem a devida análise, promovendo
prejuízos para o sindicato e também para a luta, precisamos respeitar a decisão da base, mas algumas vezes é preciso ter presente todo o conjunto de elementos que envolvem a situação, para a tomada de decisão.
O terceiro é na relação com o governo, nós precisamos priorizar o enfrentamento com o governo do estado, nos últimos tempos o sindicato tem gastado tempo demais com análises da conjuntura internacional e nacional, deixando de lado ou em plano secundário os problemas da categoria, não podemos dar maior valor à violência praticada por Israel, do que o sofrimento do profissional da educação agredido e
desrespeitado social e profissionalmente, é preciso inverter a ordem do debate, em primeiro lugar a luta em defesa da categorias, para depois discutir os demais problemas políticos.

2 - Um dos fatos apontados pela sua Chapa, é o fato de a concorrente levar bandeiras partidárias para dentro do sindicato. A sua chapa sendo filiada a Cut, que conta com grande apoio do PT, também não levará a questão partidária para o sindicato?
Primeiro é preciso destacar que a atuação partidária no sindicato não se dá apenas pela ligação das pessoas com um determinado partido, por exemplo, tem gente que se diz independente, mas na prática legitima todas as ações desencadeadas pelo PSTU, hegemônico no bloco, então esta pessoas que aparentemente são “independentes”, na verdade partidarizam mais o sindicato do que os próprios filiados aos partidos, por fazerem o discurso do apolítico.
Não somos apolíticos, temos nossa posição e as defendemos. No entanto,não concordamos com o uso da estrutura sindical para veiculação de projetos ou propostas partidárias, como ocorre com alguns dirigentes,que se identificam dizendo de partido fazem parte primeiro, também usam bandeiras e camisetas de partidos políticos nas assembléias e mobilizações, isso causa desconforto e desmobiliza a categoria, que é
heterogênea e o sindicato precisa respeitar esta pluralidade.

3 - O que de fato a categoria a qual o Sinte representa deve almejar?
Um sindicato forte, atuante, contundente nas reivindicações,comprometido com todas as lutas da categoria, em primeiro lugar, mas com equilíbrio necessário para negociar quando for preciso e possível. Um sindicato no qual os profissionais da educação possam acreditar!

4 - Quais são os caminhos para que isso aconteça?
A responsabilidade dos dirigentes é fator preponderante. Não se faz sindicato comprometido sem lideranças atuantes, com visão de projeto da classe trabalhadora. Também a atuação equilibrada, planejada, com análise séria dos fatos contribui para aumentar a credibilidade no sindicato.
Outra ação indispensável é manter a categoria informada sobre os acontecimentos de seu interesse, sem discursos inflamados ou ideologizados, pois estes não conseguem expressar a realidade dos acontecimentos.
Também o planejamento das ações e a prática coerente com as decisões das instâncias, evitando o escamotear as posições por possuir divergência.

5 - Os sindicatos não têm conseguido sucesso nas reivindicações mais importantes com os últimos governos. Por que isso acontece?
Primeiro há de se registrar uma profunda intransigência do governo do estado. No entanto, há por parte da direção uma postura que dificulta alguns entendimentos. Por exemplo, fica difícil negociar com um governo do qual você primeiro chama de “bandido”. O que nós dirigentes precisamos pesar é que quando falamos não falamos por nossa convicção,mas pela representação que recebemos da categoria.
É preciso que o sindicato enfrente o governo pela via institucional e não pelo ataque às pessoas. A discussão não pode ser partidarizada, ideologizada ou pessoalizada ela deve se ficar no campo das propostas,especialmente daquelas que não podemos abrir mão.
Acredito também que esteja faltando a base acreditar que é possível avançar mais, que existem elementos favoráveis, mas que para atingi-los é preciso muita organização e união em torno de objetivos comuns.
Ainda é importante dizer que hoje não basta esbravejar, não adianta gritos é preciso argumentos, qualificar o debate em torno das reivindicações, dizer o que queremos, porque é preciso atender e onde queremos chegar.

Eu penso que a Chapa 2, está constituída com um grupo de dirigentes altamente comprometidos com a luta de classes e a defesa intransigente dos nossos direitos e com o conhecimento e a vontade de fazer a vontade da categoria ser respeitada e valorizada por qualquer governo independente de partido que esteja no poder.
Também o planejamento deve ser um fator diferencial em caso de vitória da nossa proposta, começando por exigir compromisso com nossa pauta, dos candidatos a governador, para que quando eleito possamos cobrar pelo compromisso assumido e nas as meras promessas.

Prof. Antonio Valmor de Campos – formação acadêmica: Habilitação em Matemática e Biologia; Direito; Especialização em Metodologia da Pesquisa em Biologia e em Direito Público; e Mestrado em Educação.
Iniciei minha atuação profissional em Concórdia e atualmente estou lotado na EEB Nossa Senhora da Salete, em Maravilha. Fui coordenador do SINTE por 20 meses e atualmente sou vice na Executiva.

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